6 de abril de 2009

Programa Espelho nesta segunda às 21h30



O dia da pose de Obama

Um dia antes da posse de Barack Obama, no Lincoln Memorial, os nortes americanos estavam em pleno feriado em homenagem ao aniversário de nascimento do Martin Luther King Jr, A personalidade mais expressiva do Movimento pelos Direitos Civis, no final dos anos 60. Luther King completaria 80 anos de idade, um dia antes da posse do primeiro presidente negro dos EUA, Seu assassinato em 1968, aos 39 anos, tornou ainda mais tensas as já conturbadas relações raciais, e impediria o líder negro pacifista comemorar junto a bilhões de pessoas do mundo inteiro, as mudanças que ajudou a promover em seu país.

Ao proferir a célebre frase “I have a dream”, King também não deixou claro se, entre os seus sonhos, acreditava de fato ver um negro chegar ao poder nos EUA, em curto espaço de tempo. Aos 26 anos, quando o carisma e o ativismo de Martin Luther King passaram a fazer diferença na luta anti-racista nos EUA, o cenário das relações inter-raciais na sociedade norte americana era outro. De tão dramático, só permitia ao jovem reverendo dedicar-se, naquele momento, a tentar acabar com a lei segregacionista que obrigava negros a se levantar e darem lugar no ônibus a uma pessoa branca, fossem homens, mulheres e crianças. Uma época, na qual, tanto o Estado quanto grupos racistas, como a Klu Klux KLan cometiam barbaridades contra os negros americanos. Espancados nas ruas, interrogados com varas elétricas usadas para conduzir gado, tinham suas casas invadidas, destruídas, incendiadas.


A luta pela afirmação política dos negros, que marcaram dramática e intensamente aqueles anos 60, resultou em duas grandes conquistas: a Lei de Direitos Civis de 1964, e a Lei dos Direitos de Voto, em 1965. Mas Luther King dividia a cena política com outros ativistas. Quem não conhece a expressão “black power”?, que ganhou o mundo naquela época. Refece-se à emergência do poder negro, o direito à auto-gestão do povo afro-americano, defendidas pelos Black Panters. Estes ativistas negros surgiram como herdeiros políticos de Malcom X, principal porta-voz da organização Nação do Islã, assassinado em 1965, que aderiu à tática de guerrilha urbana como resposta à violência dirigida à população negra.

Uns pregando a paz, outros o confronto aberto. A verdade é que, as motivações eram as mesmas. Passados mais de 40 anos daqueles anos 60, a realidade histórica mudou, mas a situação do afro -americano continua preocupante. Eles constituem 12,2% dos 300 milhões de cidadãos dos EUA. Mas na nação que deu como exemplo ao mundo, entre vários outros, as medidas reparatórias, entre elas as cotas – tão debatidas atualmente no Brasil – 25% dos negros permanecem vivendo nos guetos.


O afro-americano recebe em média 77% do salário dos brancos, são a maioria esmagadora dos que vivem nas penitenciárias do país, por não conseguirem romper o círculo pobreza-criminalidade. Sofrem com a taxa de natalidade infantil quase três vezes maior do que as dos brancos, e com o fato de serem, comparativamente, quase o dobro de desempregados. É este quadro, que os afro-americanos acreditam que Obama vá lutar para mudar!

Símbolo

Pronto para assumir um lugar único e de enorme importância na História Mundial, assim como na luta dos negros da diáspora, Barack Hussein Obama, um advogado negro de 47 anos, de Illinois, jurou, com as mãos postas sobre a mesma bíblia usada por Abraham Lincoln em 1861, servir à América. Uma nação frequentemente comparada a um império, pelo seu enorme poderio, uma superpotência em vários níveis, mas que também ganhou fama, pelos contrastantes, intensos e seculares problemas raciais.


Era dia 20 de janeiro de 2009, quando uma multidão estimada em cerca de dois milhões de pessoas, comprimia-se, eufórica, emocionada, sob um frio de …. graus, entre o Capitólio (construído por mãos negras escravas ) e o Memorial Abrahan Lincoln. Erguido em homenagem ao décimo- sexto presidente americano, que aboliu a escravidão no país, e em quem Obama assume querer inspirar-se.


Negros, brancos, latinos, que vivem naquela nação anfitriã de tantos povos; crianças, jovens e adultos. Depois de vencidos os rigores da segurança, postavam-se ali – um tanto quanto reverentes- para ver Obama e sua família. E escutar o discurso mais esperado dos últimos tempos.


Tão atentos quanto eles,estavam bilhões de outros telespectadores e ouvintes de uma aguardada fala que teve duração de cerca de 20 minutos, na qual Obama anunciou as diretrizes de uma “nova era”. Não só para os Estados Unidos, mas para o mundo todo, que apostou nele como símbolo de esperança, depois de oito longos anos da administração Bush,contestada nacional e internacionalmente.

De todos os ângulos que se olhe, Obama apresenta algo de excepcional. Assim como a crise assustadora por que passa a maior economia do planeta, agora sob seu comando, que incide, sob o efeito dominó, sobre o restante do mundo, e que não fora prevista a curto prazo pelos especialistas, não se esperava também que um afro americano fosse eleito para superá-la.


Obama foi a aposta na esperança feita pela maioria da população de um país que exibe, hoje, uma das maiores desigualdades sociais, entre as nações do Primeiro Mundo

Advogado formado em Harvard, uma das mais prestigiosas universidades do EUA, casado com Michelle e pai de Sasha e Malia, Obama estreou na política em 2004, como senador pelo partido democrata. Também era absolutamente improvável que, nesse curtíssimo espaço de tempo, ele fosse alçado ao posto de quadragésimo quarto presidente dos Estados Unidos, com 80% da aprovação do povo americano.


Carisma impressionante, oratória invejável, filho de um africano e de uma norte-americana, Barack Hussein Obama apostou na “Honestidade e trabalho duro, coragem e ética, lealdade e patriotismo dos fundadores da nação” como valores a serem exaltados por ele e seus compatriotas. Entretanto, sua figura simboliza para uma parcela da humanidade, que, como ele, vive as dores e os prazeres dos “diferentes”, a possibilidade de mudança, capaz de eliminar preconceitos, temores e ressentimentos em favor do avanço de toda a humanidade!

1 comentário:

Anónimo disse...

yo!!!!mano, tamos juntos cara, da hora esse programa, sou "artista de rua" sem espacos para expor minha arte nesse pais elitista gracas a Deus q temos a "feira preta" queria q vc tratasse futuramente esse tema nesse programa valew tanos juntos falow.

(z.app@hotmail.com)

God bless you...muita paz..