11 de abril de 2009

Programa Espelho nesta segunda


Lázaro Ramos convida Seu Jorge para um passeio pelas ruas do Rio de Janeiro.O músico relembra a vida antes da fama quando chegou a ser morador de rua e conta de onde vem a inspiração para suas músicas. Para alegria dos cariocas, Seu Jorge decide ainda se apresentar em pleno centro da cidade.

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Foi o compositor Marcelo Yuka, ex-integrante da banda O Rappa, quem ajudou Jorge Mário da Silva, no início de sua carreira, a encontrar um nome artístico que traduzisse uma identidade própria. O diferenciasse, num país que é celeiro de grandes artistas. Isso lá nos anos 90, quando o jovem multi-talentoso arriscava os primeiros passos como cantor, compositor e músico, nos palcos que dividia com os companheiros do grupo “Farofa carioca”. Juntos, assinavam a receita de uma saborosa e inovadora farofa afro-musical, feita de samba, reggae, jongo, funk e rap.

Ele costuma explicar a escolha do nome, numa resposta afetuosa, cheio de generosidade. “É que posso ser seu, seu Jorge”. Para além de nomes artísticos e jogos de linguagem, sua trajetória – cheia de momentos de superação admiráveis – mostrou ao mundo, sem nenhum exagero, que estamos falando de alguém, de fato, muito singular.

A infância e a adolescência, ele passou no seio de uma família muito pobre, mas unida e afetuosa, que vivia na comunidade de Gogó da Ema, na Baixada Fluminense. Até hoje uma das áreas mais pobres e desassistidas do Rio de Janeiro. Superou a dor da perda do irmão numa chacina, a desintegração da família e a condição de morador de rua, quando tinha 20 anos de idade. Foi acolhido - e apresentado ao fascinante mundo da dramaturgia -, pelos anônimos e famosos que integravam o Teatro da Universidade do Rio de Janeiro. Mas antes de descobrir-se artista, foi borracheiro, faxineiro, vendedor, pedreiro. Passados dez anos desde que apareceu para o grande público, radicou-se em São Paulo, casou-se e, aos 38 anos, é pai de duas meninas. E artisticamente, exibe vôos altos para alguém de origem tão humilde. Transformou-se num aplaudido e respeitado “cidadão do mundo” – tamanho o sucesso que faz como músico, cantor e ator, tanto no Brasil, quanto no exterior. Avesso a classificações, arredio quanto a rótulos, o máximo que podemos dizer é que sua alma de artista, além de alegrar, sensibilizar e entreter, continua a serviço da denúncia. São dele os versos duros que afirmam: “A carne negra é a carne mais barata do mercado”. Conosco, nessa edição de Espelho, o meu, o nosso, o seu ... Entrevistado
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1 comentário:

Fernanda Moraes disse...

O programa estava simplesmente MARAVILHOSO!Seu Jorge e Lázaro Ramos conseguiram chegar ao auge do bom gosto e da sutileza.Entrevista perfeita,espero a segunda parte...
Vida longa ao programa.