2 de agosto de 2009

Programa Espelho nesta segunda



Neste programa entrevistamos Tia Maria do Jongo matriarca do grupo Jongo da Serrinha, atualmente é a jongueira mais velha da cidade, fundadora do Império Serrano, mora numa típica casa da zona norte, construída nos anos 50, onde ela além fazer várias festas e receber visitantes, dá aulas de griô (contação de histórias) para crianças contando fatos de sua vida pessoal, do samba, do jongo.

Os personagens dessa edição do Espelho são, em vários sentidos, verdadeiros heróis da resistência. Moradores do Morro da Serrinha, bairro situado em Madureira, zona norte do município do Rio de Janeiro, eles fazem parte de uma comunidade de cerca de 5.000 moradores, na sua maioria negra. Responsáveis por manter viva uma tradição cultural afro-brasileira, tombada pelo Ministério da Cultura como primeiro patrimônio imaterial do Rio de Janeiro: o jongo.

Foram Mestre Darcy e sua mãe, Vovó Maria Joana rezadeira, como vocês verão na matéria, aqueles que, preocupados com a extinção do jongo na cidade, transformaram, há cerca de 40 anos, a antiga dança praticada nos quintais da Serrinha num espetáculo.

Mas a estratégia de resistência cultural não parou por aí. Foi criada, mais tarde, no ano 2000, a ONG Grupo Cultural Jongo da Serrinha, onde a equipe do Espelho passou uma manhã inteira. Na ONG, muito se tem feito para a preservação da memória da comunidade formada há cerca de 110 anos por uma massa enorme de escravos alforriados.

Comunidade que é hoje internacionalmente famosa, graças ao empenho em preservar a memória do jongo, uma herança cultural trazida pelos negros bantos que vieram da região do Congo-Angola, na África, para as fazendas de café do Vale do Paraíba no século 19 que ficou preservado na região.

Os cursos para a capacitação profissional de jovens e crianças, desenvolvidos pelos educadores da Escola de Jongo também colaboraram para que ONG Grupo Cultural Jongo da Serrinha ganhasse diversos prêmios. Além da conquista de uma série de parceiros, entre entidades nacionais e internacionais, assim como de diversos artistas que colaboram com o trabalho do grupo.

Mas todo o trabalho que você verá nessa edição do Espelho, foi interrompido, em dezembro de 2008, quando a sede do grupo cultural sofreu uma invasão policial, que resultou na destruição de móveis e de tudo o mais que existia no local.

Ricos em tradições e cultura, apesar da convivência com apobreza e os demais problemas sociais por ela gerados, os personagens da matéria dessa edição, mostram porque a truculência e o desrespeito com as comunidades carentes precisam ser urgentemente repensadas. O Espelho está no ar.

1 comentário:

Patri disse...

Olá Equipe do Espelho!
Sou muito grata pela presença e qualidade desse programa.
Especialmente por essa linda matéria que acabei de assistir...
Me encontrei qdo D.Maria disse que algumas pessoas choram...E chorei mais uma vez!
Desde que me encontrei nessa realidade, como mulher negra, o Jongo foi a tradução de meus sentimentos e ações.
Foi na Associação Cachuera! em São Paulo, que pude me reencontrar...
"Tudo se inicia e termina no corpo.." como diria o antropólogo Julio Cezar Tavares.
Parabéns!!!!!!!!!