24 de fevereiro de 2010

#DicaDoEspelho




“Os jovens atores negros, guiados pelo diretor do espetáculo José Fernando Azevedo, mergulharam fundo. Em cena, o que se vê é, ao mesmo tempo, a vida de uma mulher negra no fim dos anos 50 e o que esses atores, com toda certeza do mundo, já sentiram na própria pele. É um documento e, ao mesmo tempo, é atual. É histórico e é contemporâneo, a tal ponto que em nenhum momento sente-se falta do famigerado didatismo que tantas vezes contamina peças adaptadas de livros.

(...) Com perucas loiras mal ajambradas na cabeça, números musicais que parodiam os filmes de Hollywood de maneira cortante - uma explicitamente falsa Doris Day dança pelo palco abraçada a um vestido de primeira comunhão, enquanto canta as agruras de não ter comida pra dar aos filhos... - o elenco inteiro dá um show.

(...) Interessante é que a miséria do tempo de Carolina era dolorida, como a miséria de hoje, mas não tinha a marca da violência. Ainda não se falava de criminalidade como sinônimo de miséria. E isso espanta: a mãe quer comprar sapatos para os filhos para que eles possam ir à escola e ser alguém - e não para que tentem escapar das quadrilhas e das polícias. A peça termina de maneira quase brusca, porque - no fim das contas - aquela história não termina nunca".

(...) Tentem não perder a peça. É um espetáculo de primeira grandeza em meio a tantos falsos brilhos de nossos palcos."
Mário Viana – Jornalista e dramaturgo site www.olharesloiros.blogspot.com

“Impossível negar que o primeiro aspecto a chamar a atenção vem do fato de todo o elenco ser negro. Logo nas primeiras cenas tal característica transforma-se em potência pela forma como é trabalhada- uma busca consciente em harmonizar força poética e consciência crítica.”
Beth Néspoli – Jornalista Estado de São Paulo

“Da hibridação conceitual, 'Ensaio sobre Carolina' , faz migrar a busca do olhar do campo fabular convencional para a sobreposição de imagens, em sólido mosaico feitos de fragmentos que demonstram sua contundência por si mesmos. Precisão e domínio técnico não lhe faltam.

(...) a sensação pulsante é a de que, como atos de Coragem, de vigor político, um outro campo começa a se desenhar por aquele teatro voltado para a criação de novos olhares. De modo semelhante a “Besouro Cordão-de-Ouro”, um chamado à releitura (e ao redimensionamento) do que seja o lugar atual da expressão teatral está sendo lançado.”
Antônio Rogério Toscano - professor na Escola de Arte Dramática/USP e Escola Livre de Santo André - Crítica Revista Camarim.


2 comentários:

Ana Paula Fanon disse...

Maria Carolina de jesus é uma refência para mim, foi com ela que eu aprendi o oficio e a função da escrita.


Ana Paula Fanon
editora do blog wwwliteraturasubversiva.blogspot.com

Isa Lorena disse...

Lázaro, só agora conhecendo o teu blog. Muito bacana a produção.

Pena que não tenho como acompanhar o programa. mas agora passo a segui-lo por aqui.

Beijão