23 de março de 2010

Crítica na Folha de São Paulo por Rafael Cariello


Aqueles que se opõem às políticas de cotas "raciais" já implementadas por algumas universidades brasileiras tendem, por vezes, a também criticar iniciativas identitárias dos negros no país, como revistas ou produtos específicos para esse grupo social, ou mesmo discursos e estudos que reforcem a distinção entre afrodescendentes e o restante da população.

Um dos argumentos contra as medidas de ação afirmativa é o de que elas desrespeitam o princípio moderno de igualdade perante a lei para todos os cidadãos. Trata-se de um valor inquestionável -mas pode ser discutido se as cotas de fato subvertem a sua vigência.

Já a ideia de afirmação da identidade negra acaba sendo rechaçada por outras razões, menos ligadas à letra da lei.


Transparece muitas vezes, entre os seus críticos, a suposição de uma ligação entre autovalorização dos negros e estímulos implícitos a ódios e conflitos relacionados à cor da pele no Brasil, país que teria conseguido evitar esses extremos.


Em alguns casos, mais radicais, chega mesmo a ser insinuada a presença de racismo na autoafirmação de negros.


Ocorre que a autovalorização identitária já está em curso e dá as caras na TV. Nos raros programas em que alguma afirmação dos negros acontece, os temores dos que a ela se opõem não são confirmados.

Ao apresentar "Espelho", no Canal Brasil, Lázaro Ramos entrevista negros, sobretudo. E trata, ocasionalmente, dos efeitos sociais da cor de sua pele. Mas também conversa com pessoas que os brasileiros diriam brancas. E seus assuntos são, em regra, os mesmos.

Já esteve por lá Abdias do Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro. Como também Tom Zé. Pelos olhos do apresentador, que viajou a Washington no início de 2009, pudemos acompanhar a posse de Barack Obama. Quem dirá que isso não é um privilégio? Não era por esses olhos que devíamos testemunhar aquele momento histórico?

A calma, a generosidade e a atenção de Ramos são sempre as mesmas, independentemente de quem seja o interlocutor. Há valorização da identidade negra, mas não há exclusão, ou contraposição em relação aos brancos.
Mais que identidades, a TV cria identificação. A engenhosidade de "Espelho" contribui para aumentar a eficácia do mecanismo. Dado o modo como o programa é conduzido, abre-se a possibilidade de brancos nos sentirmos parecidos e próximos de Ramos, mesmo que não tenhamos seu talento.

5 comentários:

Anónimo disse...

Tefé, 23 de março de 2010.
Ola, para quem me lê primeiramente obrigado por direcionar seus olhos ao meu texto e fingir ler dessa forma que sua mente enxerga um entendimento pois quisera eu escreve La com palavras sabidas e triviais em borá com um toque de amor.Agora e noite escutando os cachorros falando de forma berrante sobre meus ouvidos comparo que não são tão diferentes de mim escrevendo este texto pois tantas coisas a berrar na mão calada que infeliz.
Agora!A musica começa a tocar saindo das caixas de som passando sobre as paredes , o grande nariz e chegando na minha grande orelha não sei o significado desse bate bate dessas palavras sobre a mesa parede ou chão apenas chegou como o tempo me roendo até o fim.Assim o choro me punindo pela minha eternidade com esta dor meus olhos sempre abrem ao gritar de meus pais para ir a escola com sincronismo queria eu ouvir ela a mais bela de meu tempo falar comigo sem boca ficaria eu paralisado com olhos secos que pena que o tempo ainda não me chegou nem o seco de meus olhos .Eu de 16 anos jogando vida pela janela sabendo que a capa escura do livro não aberto esta querendo um leitor.
Água fria no meu corpo Lázaro Ramos entrevistando Wagner Moura que coisa estranha a sensação de pesadelo veio me rasgando pelos meus pés que beijam o chão e prendeu meus olhos, uma voz diz responde !responde !Não aquele era o meu momento de muitos que procuro de poucos que realizo só para me dar prazer de viver Wagner Moura falado sobre religião a sensação de mudar o mundo me veio como faca rasgando minha pele ,como não precisasse falar ou repetir para escutarem pois outra pessoa via meus pensamentos .
Sozinho eu garoto de Terra quadrada com medo do abismo aqui fico esperando algum dia encontrar mais pessoas como você Wagner Moura.
A vida besta Tefé-Amazonas cidade que você não conhece fico olhando para o Céu e procurando pessoas com esta mentalidade à procurar com o tempo que não me deu vida para esta procura .
Insistentemente : O garoto de 16 anos Danilo Praia da Silva Pessoa Batalha Tefé - Amazonas

responda me fantasma
danilobatalha1993@yahoo.com

Obrigado Wagner Moura

Anónimo disse...

perguntei a um fantasma a razão de me inclinar aflito sobre restos ele apenas responde se acaso é responder a misterios ,somar-lhes um misterio mais alto

Amar,depois de perder.

Carlos Drummond de Andrade
Antologia poética

Anónimo disse...

penso que o ser humano por si so e um pouco e alguns muito egoista.derrepente vc assiste uma entrevista que te faz pensar sobre mil coisas.ai vc percebe como tem pessoas maravilhosa no mundo e que se existisse metade de pessoas como wagner e lazaro no mundo .o mundo seria bem melhor .

Anónimo disse...

concordo com rafael,mas acho ridiculo essa cota , porque todos nos temos direitos independente de sermos negro , branco,amarelo,gordo,magro...,sera que esses que impos essa cota nao conhece a declaracao universal do direitos humanos?mas se infelizmente esse for o unico jeito deles ter acesso aquilo que e seu de direito!paciencia....

elias disse...

Dês de o seu descobrimento, o Brasil foi palco de preconceitos absurdos, e por mais que os responsáveis (direta e indiretamente) algumas vezes se desculpem, os verdadeiros prejudicados (membros de uma maioria marginalizada) quase nunca são ouvidos de forma realmente imparcial Nada mais justo que facilitar a liberdade de expressão desta parcela da população que, historicamente, foi excluída (na maioria das vezes de formar consciente) pelos outros segmentos da mesma. Não podemos mudar o que passou, mais cabe a nos aprender para não repetir os mesmosais que procure se livrar da hipocrisia, nunca saberá o que o outro passou sem o diálogo erros e a melhor forma de fazer isso é ver o relato de quem sofreu, pois quem causou este sofrimento, por mais que procure se livrar da hipocrisia, nunca saberá o que o outro passou sem o diálogo.

Elias Caetano