20 de maio de 2009

A Moda e o Hip Hop – Capitulo 1 por Carol Delgado


Nos anos 70, acompanhando as agitações políticas da época, surgiu uma manifestação cultural que estimulava o orgulho de ser negro e estimulava os negros a lutarem por seus direitos num país marcado por uma forte segregação racial e, como o Brasil, também construído através da mão de obra escrava trazida da África. Inspirados em líderes negros, como Martin Luther King, Malcom X e Huey Newton, jovens negros, estimulados pelo sucesso do soul e do funk, resolveram dar mais poesia a esses ritmos considerados já absorvidos pelo sistema e longe da missão de servir como música de protesto contra a opressão do povo negro. Surgia o rap - ritmo e poesia. Este é considerado a base mais forte do hip hop no Brasil, que se complementa ainda com o graffiti, o break, e o dj. A moda surge como um importante elemento que comunica e distingue os participantes do movimento.

O diálogo com a moda surge na estruturação do próprio movimento. O estilo hip hop constrói uma linguagem que transmite suas idéias, e expressa, antes de tudo, atitude. Os artistas do hip hop adotam o estilo como forma de construção de uma identidade que joga com as distinções e as hierarquias de classe ao usar a a força do consumo para reivindicar um território cultural. A moda hip hop é um rico exemplo de apropriação crítica pelo estilo. Meio alternativo de criar uma condição social, o estilo hip hop forjou identidades locais para os jovens que compreenderam como era limitado o seu acesso às vias tradicionais de status. O movimento criou um estilo peculiar que, nos anos 80, costumava mixar grandes e tradicionais marcas e usá-las de maneira mais despojada.


As raízes da moda de rua, ou streetwear, aparecem nos anos 80, quando as roupas usadas pelos adeptos do movimento hip hop nos Estados Unidos conquistaram os estilistas e camadas médias e altas da sociedade. A periferia inspirou tendências para além do gueto, e até mesmo para as passarelas.


Na moda hip hop também aparece a preocupação com a auto-estima negra na construção da identidade. As referências de uniformes esportivos mostram essa relação: surge como forma de homenagear os ídolos negros americanos do esporte, principalmente do basquete e atletismo. Os jogadores de basquete americanos, principalmente, influenciam jovens do mundo todo e são reconhecidos como criadores de tendências, celebridades com estilo próprio e assinam linhas de vestuário exclusivas para grandes marcas esportivas.

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