28 de dezembro de 2016

#DicaDoEspelho


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É da escrita de Lívia Natália também o constatar da dor da solidão. Águas oceânicas podem metaforizar águas-lágrimas do ser humano, nos versos do poema Natureza submersa. Aparece a imagem de um mar antropomorfizado, experimentando sentimentos de desamparo e solidão, como o ser humano experimenta, nos seguintes versos: 

O mar se move sem olhos para dormir [...] 
A fina transparência das Águas 
Não dissimula seu desamparo. 

No poema Inominado, uma voz sujeito–mulher, fala de seu desconsolo:

Vivo com um silêncio desconsolado [...]
E ninguém percebe esta ferida que sangra pra dentro.
Apesar da cicatriz.

Entretanto há poemas em que a enunciação descreve o encontro, o amor com suas cenas amorosas. Uma voz —sujeito-mulher — louva o ser amado, um homem. Poemas como: Poeminha de amor sem enfeite nenhum, Um poema em seu nome, dentre outros, colocam em cena uma mulher bendizendo a sua aventura amorosa.

Tudo na poesia de Lívia Natália é cuidado. Das imagens às palavras para descrevê-las. Nada sobra na arquiteturade seus versos. Só os sentidos são amplos e vazam como águas em seus incontidos limites".

Por Conceicao Evaristo

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