15 de fevereiro de 2017

#DicaDoEspelho


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A chuva e o vento do título sugerem a brisa e as tempestades que desabam sobre os ombros da heroína, Télumée Milagre, uma negra de Guadalupe. Na primeira parte do livro ela conta sua vida, narrando as batalhas de três gerações de mulheres a partir da bisavó Minerve, uma ex-escrava. Jovem, Télumée trabalha para os brancos e depois junta-se ao negro Elie, paixão da infância. É feliz e infeliz até a loucura. Depois da morte da avó, por quem foi criada, muda-se, trabalha nos canaviais e junta-se a Amboise, negro que, por ser combativo, é aniquilado. Enfim, ela se toma uma negra que não se deixa embaraçar pela vida, como sua avó, com quem aprendera a navegar através, conservando-se enraizada à terra e amando viver. Já anciã, Télumée contempla, tranquila, de seu jardim, as modificações que seu século introduziu.

Surpreendente e belo, o romance é escrito numa linguagem ritmada e poética. Marcante a cada frase, as imagens coloridas impregnadas de aromas de ervas desenham uma paisagem do Caribe que os turistas nunca viram. Uma paisagem onde, não obstante a desesperança imposta pela pobreza e pelo racismo, os homens e as mulheres se apaixonam, defendem-se das forças da destruição e recriam o mundo a seu modo e segundo sua tradição.

Por Norma Telles 


Texto retirado na íntegra daqui

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