28 de fevereiro de 2018

#DicaDoEspelho



A descoberta do insólito livro de Mário Augusto pode ser lido como se o autor fosse/quisesse ser o descobridor de algo. Ao contrário: o insólito é o resumo da pergunta, muitas vezes preconceituosa, frequentemente feita ao surgimento de cada um dos ativistas, intelectuais, escritores e processos histórico-sociais estudados aqui, por diferentes autores, críticos, jornalistas e intelectuais. Como eles foram possíveis? Um escritor nessas condições? Isso é literatura ou documento social? Na história literária brasileira, o escritor negro passou a ser visto como uma espécie de avis rara. Dadas as condições sociais de produção e o surgimento dos autores, não raras vezes se questionou como foi possível a criação literária ter aparecido em cenários tão inóspitos ou deslocados. O insólito opera não como um elemento do universo fantástico, mas como uma via de mão dupla do cotidiano. Pauta-se, por um lado, pela história e pelas condições sociais em que negros e periféricos majoritariamente se encontram e que vivenciam; por outro, pela negação da negação, o princípio de afirmação do eu e do sujeito social, que faz com que o ativismo político e a criação literária de autores negros e periféricos se tornem possíveis.



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